Jun 21
A mãe chega amanhã. Além da festa terá à sua espera o meu obituário falso, escrito em parceria com a tia Madalena.
Jun 20
Hoje iniciei outro projecto: uma revista underground. Chama-se Sexu.Al - Sexualidade para gente real. A primeira edição será fotocopiada e distribuida sobretudo pelos destinatários das cartas que tenho vindo a juntar. Cada edição será única por ser personalizada, pois conterá uma missiva respeitante ao destinatário em causa.
Jun 16
A minha mãe regressa amanhã. Vai ser recebida com festa. À sua espera estará também a cadeira de rodas que necessita para a experiência. Furtei-a à Dona América, do primeiro direito. Ela não a utiliza em casa, deixando-a no corredor. Bem feito: já a havia avisado que era perigoso deixar ali a cadeira de rodas.
Jun 15
No meu quarto tenho uma arca em madeira. Tem-me servido para depositar roupa interior usada. Cuecas, sobretudo. Confesso que sou vencido pela preguiça. Dispo-me e guardo lá essas peças, sempre com a intenção de as transportar para a lavandaria.
Jun 14
Iniciei hoje a distribuição de bolinhos da sorte pelos vizinhos a quem subtraí correspondência. São embalados individualmente e, no interior, uma frase retirada de uma qualquer carta que apreendi. Por exemplo, para o senhor Orlando:«O seu crédito não foi aprovado.»
Jun 13
A porta do quarto casulo nº3 parece forçada, do lado de dentro.
Jun 12
Uma das cartas recolhidas ontem continha uma nota de 50€, enviada por uma avó Isilda para o seu neto, com um pequeno bilhete de caligrafia horrível:«Parabéns, meu querido netinho. Compra a bola de futebol”. Logo vou a uma loja de desporto com a tia Madalena. Compraremos uma bela bola, em honra do Tózé.
Jun 11
Iniciei o retrato da tia Madalena. Comecei pelo cabelo. Retrato-a como se ainda tivesse a sua longa cabeleira. Pintei uma folha em tons amarelados, cortei-a em tiras pequenas e pedi-lhe que as segurasse na cabeça, para simular o cabelo.
Jun 10
Comprei um viveiro de formigas. Este item fazia parte da lista da carta que escrevi ao Pai Natal em 1993.
Jun 09
A vantagem de viver numa habitação com muitas divisões é que posso desenvolver diversas actividades: um quarto equivale a uma micro-empresa. Tenho dois projectos em andamento, contando com a valiosa contribuição da tia Madalena: num dos quartos existirá uma emissora de rádio e noutro uma empresa de sexo por telefone.
Jun 08
Tenho aproveitado a ausência da mãe para fazer coisas incríveis com a Tia Madalena. A sua mais recente sugestão é fantástica: vivermos o resto da nossa vida num hotel Ibis.
Jun 07
A mãe foi passar uns dias a Espanha. Aguardei que a tia Madalena adormecesse e coloquei-lhe a peruca que fiz. Coloquei o meu alarme para trinta minutos antes do seu despertar, para poder apreciar o nascer do dia e o sol a banhar-lhe a cabeleira.
Jun 06
A tia Madalena foi cortar o cabelo, de manhã. Regressou com um corte à rapaz. Estou desolado. Perdi os longos cabelos louros que, ultimamente, enrolava até adormecer. Fui ao cabeleireiro da Zita e consegui recuperar a maior parte do cabelo cortado. Em casa fiz uma peruca grosseira, com cola de sapateiro. Usá-la-ei sempre que tiver saudades da tia Madalena de cabelo comprido.
Jun 05
A mãe disse que deseja comprar uma cadeira de rodas, para utilizar durante uma semana. Pelo lado pedagógico da coisa. A tia Madalena ficou chocada. Diz que apenas participa se for uma cadeira de rodas eléctrica, para não se cansar.
Jun 04
A minha mãe confessou-me que vai deixar de fumar pelo mesmo motivo que a levou a começar: irritar os outros.
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